William Mckinney, irlandês que vendeu os terrenos em Alcochete ao grupo Freeport, garantiu ontem, no Tribunal do Barreiro, que o processo de licenciamento do outlet, em 2002, foi negociado directamente entre o arguidos Charles Smith e José Sócrates, então ministro do Ambiente. <br/><br/>
"O problema existia e eu sabia que o Charles Smith estava a discutir com o ministro, creio que era o senhor Sócrates. Tudo isto era feito em grande segredo", afirmou a testemunha, que foi ouvida por videoconferência, explicando que Smith era o "ponto de contacto". "Sabíamos que havia conversações, não com o senhor Manuel Pedro, mas sim com Charles Smith", frisou Mckinney, cujo sucesso do negócio da venda de terrenos estava dependente da aprovação da construção do outlet de Alcochete, razão que foi determinante para o Freeport contratar os consultores Smith e Manuel Pedro: "Charles Smith sempre me disse que conhecia pessoas muito influentes, no decorrer do seu envolvimento no processo da ponte Vasco da Gama. Foi um dos motivos para o contratarmos".
Após o processo de licenciamento do Freeport - que acabou por ser aprovado em Março de 2002, já o Governo socialista de Guterres estava em gestão -, Mckinney, que foi aconselhado a "fazer contribuições para partidos políticos", diz ter ficado com a convicção de que o lóbi "parece ser a forma, culturalmente, de negociar em Portugal". O gestor de imobiliário irlandês continua hoje a ser ouvido por videoconferência.
TENTATIVA DE EXTORSÃO
Smith e Manuel Pedro estão a ser julgados por tentativa de extorsão. O caso chegou a ter sete arguidos, incluindo o ex-autarca de Alcochete, mas apenas os dois sócios foram pronunciados.
EX-GOVERNANTE NÃO FOI OUVIDO
Apesar das referências ao seu nome desde o início da investigação, Sócrates nunca foi ouvido no inquérito do DCIAP. Os procuradores fizeram questão de deixar escritas as 27 questões que ficaram por fazer.
CONFIRMA REUNIÃO EM 2001
O ex-secretário de Estado do Ambiente Rui Gonçalves confirmou ontem, no Tribunal do Barreiro, a realização de uma reunião, a pedido do então presidente da Câmara de Alcochete José Inocêncio, com o ex-ministro do Ambiente José Sócrates e os promotores do Freeport.
Apesar de ter participado na reunião, Rui Gonçalves disse não se recordar das pessoas que foram em representação do Freeport.
Questionado sobre o motivo da reunião, o ex-governante su-blinhou que era avaliar as razões pelas quais a secretaria de Estado do Ambiente tinha chumbado o projecto em Dezembro de 2001.
Esta versão coincide com a de José Sócrates. Num comunicado emitido a 24 de Janeiro de 2009, Sócrates disse que a reunião consistiu na apresentação, por parte dos promotores, da intenção de reformular o projecto e no esclarecimento pelos serviços do Ministério do Ambiente das condições ambientais que deviam ser cumpridas, em conformidade com a última declaração de impacte ambiental.
ADVOGADO NÃO ACREDITA QUE ARGUIDOS TENTARAM EXTORQUIR
"Se tivessem falado em extorsão, eu teria tido conhecimento porque seria um assunto grave". A garantia é de José Pedro Baptista, advogado da Sociedade Vieira de Almeida, a quem estava entregue o cliente Freeport. Em resposta ao juiz, o causídico assegurou não ter tido conhecimento de qualquer quebra de confiança por parte do grupo inglês na empresa Smith & Pedro, cujos sócios estão a ser julgados. Já quando confrontado com uma conversa entre si e um dos administradores do Freeport sobre a necessidade de oferecer dinheiro para ter projectos aprovados em Portugal, o advogado afirmou que a sua frase foi retirada do contexto, mas alegou sigilo profissional. Foi ouvida ainda a advogada Margarida Couto.
3 TESTEMUNHAS FALAM EM SÓCRATES
Duas amigas de Manuel Pedro, ouvidas na primeira audiência, e o advogado Ferreira do Amaral afirmaram em julgamento terem ouvido do arguido a garantia de que tinha pago 500 mil contos a Sócrates.
PAGAR LÓBI É NORMAL
A defesa de Charles Smith e Manuel Pedro alega que pagar para fazer lóbi é algo normal em Inglaterra e que como Charles Smith e Mckinney são ambos britânicos isso é aceite.
OUVIDO AMIGO DE 'PINÓQUIO'
Fonseca Ferreira, militante do PS que é referido no processo como sendo um amigo próximo do misterioso ‘Pinóquio', é hoje ouvido como testemunha na nona audiência do julgamento Freeport.
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