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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Líder do BE diz que posição de Seguro sobre pacote laboral será definidora do seu mandato

José Manuel Pureza defendeu que "não basta vencer eleitoralmente a extrema-direita".

09 de fevereiro de 2026 às 17:49

O coordenador nacional do BE afirmou esta segunda-feira que a posição futura do Presidente da República eleito, António José Seguro, sobre o pacote laboral do Governo será definidora do seu mandato, alertando que "não basta vencer eleitoralmente a extrema-direita".

"Na posição que venha a assumir sobre esta matéria [anteprojeto de alteração da legislação laboral], o novo Presidente da República definirá muito de qual é a sua orientação", defendeu José Manuel Pureza, em declarações à agência Lusa, após uma reunião com a União dos Sindicatos Independentes, em Lisboa.

Interrogado sobre que antecipação faz do mandato em Belém de António José Seguro, - eleito chefe de Estado no domingo com 66,82 % dos votos, derrotando o líder do Chega, André Ventura, - Pureza centrou a resposta no pacote laboral e deixou alguns alertas.

"Não basta vencer eleitoralmente a extrema-direita. É necessário vencer politicamente esses movimentos de direita, seja da extrema-direita representada por André Ventura, seja da direita ultraliberal, que é aquela que de facto está aqui subjacente a estas alterações ao Código do Trabalho", sustentou.

O coordenador nacional do BE, que tem tido várias reuniões com sindicatos e centrais sindicais para manter o anteprojeto do Governo PSD/CDS-PP "em primeiro plano de importância política", realçou o papel dos sindicatos independentes na luta contra estas propostas e reiterou que continuará a opor-se às mudanças à lei pretendidas pelo executivo.

"Porque, no fundo, isto corresponde àquilo que é o quotidiano das pessoas que não compreendem qual é a razão disto e que sentem que existem riscos muito grandes de precariedade eterna, de fragilização profunda dos seus direitos", alertou.

Na noite de domingo, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, disse esperar que "haja uma evolução" na revisão da legislação laboral, que as reservas demonstradas à proposta inicial sejam ultrapassadas e que a proposta final tenha a aprovação do novo Presidente da República, António José Seguro (que já realçou a importância de haver um acordo em sede de concertação social).

Insistindo que não existe "racionalidade" na pretensão do Governo, Pureza voltou a acusar o executivo de "obsessão ideológica" e afirmou que "o primeiro-ministro pode dizer aquilo que queira para tentar iludir a questão principal".

"Há um conjunto de medidas que são avançadas pelo Governo e que têm como único propósito penalizar o mundo do trabalho. E sobre isso não creio que haja nenhum acordo possível", advogou, considerando que é o executivo "que está numa posição de total intransigência".

José Manuel Pureza foi ainda questionado sobre as declarações do autarca de Leiria, que esta segunda-feira afirmou que se o impacto da depressão Kristin fosse na casa de quem governa o país a resposta teria sido mais rápida, ao referir-se ao restabelecimento da energia elétrica.

Na ótica do coordenador nacional do BE, o que tem "salvaguardado a dignidade mínima" das comunidades afetadas tem sido "um movimento de solidariedade espontânea por parte das pessoas de todo o país".

"É isso que tem, de facto, compensado a ineficácia governamental. Os autarcas são também, igualmente, muito importantes e têm estado invariavelmente na primeira linha da tentativa de resposta", enalteceu.

Crítico da resposta do Governo, Pureza considerou que o executivo tem gerido o tema com "grande sobranceria e distanciamento político e emocional" e voltou a considerar insuficientes os 2,5 mil milhões de euros disponibilizados para medidas de apoio.

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