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Americanos chamam Portugal à construção do F-35

Quatro empresas portuguesas selecionadas em grupo de dez para produzir e fornecer compósitos e estruturas.

22 de outubro de 2026 às 09:00

A Lockheed Martin vai convidar quatro empresas portuguesas a apresentarem candidaturas para serem selecionadas como produtoras e fornecedoras de dois componentes estruturais - compósitos e estruturas - dos aviões de combate F-35, que a firma norte-americana quer que Portugal escolha como sucessor do F-16, que se aproxima do final de vida útil. Essas quatro empresas portuguesas fazem parte de um conjunto de dez escolhidas para a competição que se traduzirá “num retorno económico de mais de mil milhões de euros” e num número não especificado de empregos, adiantaram esta quarta-feira responsáveis da Lockheed Martin a um grupo de jornalistas portuguesas, durante uma visita à linha de produção de Fort Worth, no Texas, onde estão a ser fabricados em simultâneo mais de 200 F-35, o caça furtivo.

“Essas empresas foram-nos sugeridas, e acreditamos na capacidade delas, após vários encontros com a AED Cluster e a IDD. É um processo independente [de uma eventual seleção de Portugal pelo caça americano], mas a escolha do F-35 ajuda”, disse Lisa Herrmann, gestora do projeto do F-35 para Portugal.

Brigetta Shanley, diretora de desenvolvimento de negócios da Lockheed Martin, adiantou que os pedidos de candidatura seguirão em novembro, “mas as empresas já sabem que estão selecionadas”, assim como sabe o Governo português “dos projetos e dos valores” em causa.

Esta abertura à produção direta em Portugal de componentes do F-35, muito dependente da escolha nacional por esse caça - um negócio projetado de perto de 5 mil milhões de euros por menos de 30 unidades - é a resposta da empresa norte-americana às promessas dos restantes candidatos, como a Saab, a Dassaul e a Airbus, que colocam em cima da mesa várias propostas, incluindo uma linha de produção em Portugal.

A Lockheed não vai tão longe, mas assinala que tem identificados mais 17 projetos a desenvolver com Portugal caso o F-35 (o único que se apresenta como de 5a geração) seja o escolhido. Esses beneficiariam 23 empresas e três universidades na co produção, transferência de tecnologias, exportação, minerais, integração na cadeia de fornecedores e no desenvolvimento.

A fabricante dos motores do F-35, a Pratt & Whitney, poderia ainda “dar mais trabalho às OGMA, com quem tem operação”, disse Brigetta Shanley. Portugal entraria ainda na co produção e transferência de tecnologia do sistema Dragon da rede de reconhecimento geoespacial, com aplicações no mar e ar e uso de Inteligência Artificial e radares de abertura automática.

Há um mês, a empresa portuguesa Tekever esteve na Lockheed a testar a integração de um dos sensores Perceptor num dos seus drones, para o demonstrarem a um cliente comum.

“Já temos uma grande colaboração com Portugal que queremos alavancar e fazer crescer”, afirmou Lisa Herrmann.

O F-35 tem 25% dos seus componentes fabricados na Europa, por 250 fornecedores (de um total de 2100 em todo o Mundo), existindo uma linha de montagem na Itália e outra no Japão, além da principal no Texas.

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